quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O Sol em Brumas



     Que angústia! Olhar para frente, para o próprio futuro, e enxergar turvos de incertezas, vultos de medos e embaços de ansiedade. Um sentimento de impotência nos invade. As preocupações, as dúvidas e o assistir do tempo passar (e passando rápido), nos sufoca e tende a nos desanimar, a nos lançar num abismo profundo de trevas, onde parece que não se verá mais a luz.

     Vivemos preocupados, confusos, apressados, como o coelho da fábula "Alice no País das Maravilhas", correndo de um lado ao outro sem saber para onde ir. Nos desorientamos com o desconhecimento do próximo dia e nos esquecemos que "não há nada mais certo do que a incerteza do amanhã" (Kiko Tozatti). E esta incerteza nem sempre é ruim. Talvez este mistério que envolve o alvorecer é justamente o que nos desperta e nos impulsiona a viver um novo dia como de fato ele o é: NOVO. É essa novidade que confere um "sabor" especial à vida, pois penso que seria entediante se soubéssemos exatamente o que iríamos fazer todos os dias. No espírito deste pensamento, Oscar Wilde nos contempla com sua frase: "É a incerteza que nos fascina. Tudo é maravilhoso entre brumas." E nós temos que começar a buscar no horizonte o sol escondido nessas brumas, a luz nas trevas, caso contrário ficaremos cegos e insensíveis à mística da vida que nos toca delicadamente e nos impulsiona como uma leve brisa nos ombros nos direcionando na intrigante incerteza que é viver.

     Alguns gostariam de modificar o passado, outros tentam modificar o presente, mas talvez a maior aspiração do ser humano seja controlar o futuro. Tolo ser, mal sabe ele que tem este poder. Ignorância não notar que o futuro é um mero fruto do presente e que, podemos não saber se seremos exatamente aquilo que queremos, mas podemos fazer acontecer o que queremos para sermos exatamente aquilo que sonhamos, simplesmente fazendo com que o o futuro aconteça, moldado aos nossos sonhos e lapidados à realidade. Um passo de cada vez, lidando com os obstáculos e desânimos, encaixando a cada dia sua preocupação, sem medo de tropeçar, e se tropeçar com coragem para continuar, afinal é a corrida da vida que está em jogo, e o prêmio é a nossa própria felicidade.

Não ousemos culpar o acaso pelas nossas angústias, afinal, "nenhum vento sopra a favor de quem não sabe pra onde ir." (Sêneca)