terça-feira, 30 de novembro de 2010

A Sociedade do "Ter"



Olá observadores da vida! 

     Nesta época do ano em que se aproxima as festividades do Natal, festa originalmente de cunho religioso cristão que celebra o nascimento de Jesus Cristo, nota-se uma inversão deste sentido para uma perspectiva mercadológica e capitalista. Mas este fenômeno não ocorre somente nesta época, mas é um fato que vem sendo inculturado de maneira implacável na nossa sociedade. Hoje para "SER", você precisa "TER", mas eu pergunto, "TER" o que? O que é tão essencial ao indivíduo que ele não pode deixar de "TER", para "SER"?
     Notamos cada vez mais (mas também nos incluímos nesta observação como frutos e integrantes da sociedade) uma inversão de valores. As virtudes do ser humano parecem não serem mais a bondade, a caridade, o carisma, a moral, o caráter, a ética, a educação, a honestidade, mas todos estes nobres valores foram trocados pela quantidade de imóveis, automóveis, roupas, acessórios de luxo e principalmente o dinheiro, a conta bancária.
     O "SER" perde cada vez mais o seu lugara para o "TER", sendo que se analisarmos detalhadamente, o "SER" sobrevive sem o "TER", mas o contrário não acontece. Isso porque o "SER" é composto por bens intangíveis, que dependendo do caráter, que está incluso no "SER", não varia, é marca do indivíduo. Já o "TER", é composto por bens efêmeros, que se esvaem facilmente e que são necessários em proporções bem menores do que as quais nós estamos vivenciando, afinal de contas, ninguém precisa de 30 pares de sapato ou tênis ou de 50 vestidos ou camisas, são números impostos pelo mercado e pela mídia que nos dizem que as pessoas não podem nos ver com a mesma roupa em dois eventos diferentes. São paradigmas que a sociedade estabelece e que em NADA acrescentam no "SER".  Fico imaginando os vestidos das atrizes hollywoodianas que custam em média de 7 à 50 mil dólares (ou mais) e que acabam se tornando descartáveis, pois elas não irão usar aquela peça novamente em um outro evento.
     Nãos estou aqui julgando as pessoas que possuem condições financeiras para tais mimos e muito menos dizendo que é errado querer possuir algo de determinada marca ou algum artigo de luxo. Pelo nosso trabalho, temos todo o direito de adquirir aquilo que nos fará sentir melhor, seja uma bolsa Louis Vuitton ou uma Ferrari. O que está em questão, é que tais coisas não podem invadir a essência do nosso ser, não podem conduzir a nossa vida a ponto de nos fazer sofrer se não temos dinheiro para comprar determinada coisa.
     Nossa sociedade nunca está satisfeita com nada e isso não é uma atitude saudável. Sempre queremos mais e mais, o mais novo, o mais moderno, o lançamento. E nessa busca inútil pelo "TER", o "SER" vai ficando para trás, sufocado com tantas aquisições e fica omitido, quando não é perdido, como em casos de mulheres que SÓ  se relacionam com homens ricos, como se fosse um requisito básico, deixando de saber se o indivíduo ao qual ela está se relacionando é um homem honrado, virtuoso. Homens que "passam por cima dos outros" nos ambientes de trabalho, perdendo a noção da ética e da moral, visando somente o lucro e o status. Pais divorciados disputando entre si quem dá o melhor presente de aniversário para o filho. O Natal deixando de ser uma celebração de comunhão fraterna, de encontro entre familiares para ser uma data em que se ganha presentes. É o "SER" sendo deixado de lado.
     O shopping, "igreja da sociedade capitalista", junto ao marketing "voraz" que se faz acerca do "TER", nos projetam nessa mentalidade oca e nos roubam de nós mesmos, dos nosso valores herdados dos dossos pais e antepassados, para nos dizer através das propagandas: "Você precisa do novo...", "Você não pode perder a chance de possuir...", "Você tem que fazer parte...", "Você TEM que TER!"
     Nós temos é que ser resgatados desse consumismo. Voltar às fontes e buscar uma revalorização do indivíduo, daquilo que ele É e daquilo que ele consegue ter, SENDO.
     
O "TER" é nobre quando partilhado, quando é algo que engrandece o "SER", e não quando o destrói.

Por isso, não ame tudo o que é belo, faça belo tudo o que você ama. Pois na vida o mais importante, não é termos tudo o que amamos, mas sim amarmos tudo o que temos"


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Amizade entre Homem e Mulher



     Olá amigos e principalmente AMIGAS! É sobre isso que eu gostaria de conversar: a amizade entre homens e mulheres. A necessidade de falar sobre isso vem de uma experiência própria, pois possuo muitas amigas (talvez até mais que amigos) e em determinadas situações, eu percebo como os olhos preconceituosos da sociedade enxergam isso. Para a grande maioria dela, "não é de bom tom" que uma mulher comprometida saia com um amigo. E por mais estranho que pareça, sendo essa uma visão de raiz machista, foi inculturada também para a mente feminina. Querem uma prova? Qual mulher que namora ou é casada NÃO estranharia se o seu parceiro lhe dissesse que iria sair com uma amigA???

     Afinal de contas, a amizade entre homens e mulheres é inviável? O homem TEM que estar interessado sexualmente na mulher e vice-versa para poderem sair juntos? Ou a amizade entre ambos pode ser motivada simplesmente por um (ou mais de um) gosto em comum como um determinado artista, um determinado tipo de comida, um tipo de ambiente, de filme... Ah os filmes, sobretudo entramos num preconceito maior ainda quando tratamos de CINEMA. Homem e mulher no cinema??? Sinal de segundas intenções... Será??? Como eu estava dizendo, não pode ser simplesmente porque, por exemplo, ambos são fãs do mesmo diretor de cinema? Ou porque ambos gostam do mesmo gênero de filme? Ou porque simplesmente são AMIGOS e que gostam de estar na companhia um do outro, como AMIGOS??? É uma coisa tão bizarra assim?

     Numa sociedade machista e preconceituosa que não acha estranho a amizade entre pessoas do mesmo sexo mesmo com toda a discriminação para com os homossexuais, por que é mais difícil aceitar a amizade entre homens e mulheres? Um homem ter um amigo homem é comum tanto quanto uma mulher ter um amiga mulher. Em nenhum dos casos, na grande maioria, será considerado um ato homossexual. Mas uma mulher ter um amigo homem é sinal de que ela é uma "qualquer" e o homem ter uma amiga mulher é sinal de que ele está interessado sexualmente nela. É isso mesmo? Ou você acredita na sinceridade da amizade entre homens e mulheres?

     Eu acredito. E deixo uma dica: Um cuidado que se deve tomar ao estabelecer uma amizade com uma pessoa do sexo diferente é não confundir os sentimentos e traçar limites para que a outra pessoa também não confunda as coisas.

Espero que vocês possam refletir sobre o assunto, formarem a opinião de vocês e, depois, postá-la aqui, claro. =D

Um beijo especial para minha amiga Natália, do blog "Divagando Utilmente" (http://divagandoutilmente.blogspot.com/) que me inspirou a montar o meu, e a todas as minhas amigas (Mah, Juh, Cris, Carol, Cintia, Bruninha, Jeh, Sheila, Lih, Rafa, Ari, Ana Luh e Ana Carol, Lia e todas as outras) que eu amo e que são verdadeiros anjos na minha vida.

Apresentação

 
     Olá caros amigos e amigas que se permitem e, assim como eu, acham vital e essencial pararem por um instante suas vidas para justamente refletirem sobre ela. É o que o título deste blog sugere: "Vitae Cogitare", que traduzido do latim para o português, pode ser lido como: "Pensando a Vida". Esta é a proposta deste blog, não somente pensar a própria vida, mas a vida como um todo, contemplando as dimensões: sociológica (as relações e o comportamento humano em função do meio em que vivem), antropológica (o indivíduo como ser biológico, social e cultural) e, claro, filosófica (o pensamento humano em virtude das outras duas dimensões anteriores). Esmiuçar e refletir sobre os paradigmas e tabus que permeiam a nossa sociedade e que, muitas vezes, nos prendem a conceitos prontos e nos impedem de "voar" pela liberdade da reflexão, é o meu intuito.

     Deixo de antemão que não farei em meus posts qualquer juízo de valor e nem defenderei qualquer corrente filosófica, sociológica ou antropológica, independente do tema abordado. Este blog possui cunho filosófico e obedecerá ao "Princípio da Imparcialidade", tendo como objetivo primeiro levar as pessoas à reflexão e a concluirem, por si só, os levantamentos que aqui farei, que serão exposições dessas correntes do pensamento e, a partir delas, fazer questionamentos para que VOCÊS respondam. Portanto, não se assustem pois, meus posts estarão recheados de interrogações e, claro, trará também o meu ponto de vista, não imperando, mas contribuindo para a reflexão.

     Este blog não tem por objetivo ser motivacional ou proporcionar auto-ajuda de qualquer espécie. Mas uma vez que simplesmente pelo ato de refletir sobre determinado tema, nesta reflexão pode estar intrinsecamente ligada uma ajuda aplicável à sua vida. Dependerá somente da conclusão que VOCÊ, leitor, fará. E nesse sentido, espero sinceramente poder contribuir, fornecendo alguma base do conhecimento humano para que você possa se posicionar melhor neste grande e complexo "tabuleiro de xadrez" que é a vida.

     Convido então a vocês a colocarem os "óculos da filosofia" e, junto comigo, conversarmos sobre os mais variados temas que tangem o nosso dia a dia.